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Publicado Agosto 16, 2009 por João Loff
Categorias: #1

Confesso-me surpreendido. Nunca esperei que este projecto viesse a tomar estas dimensões, esta adesão aos comentários e às visitas, estou estupefacto!

Por isso vos digo, que este projecto ha de andar novamente, breve, com novas plataformas, como inesperadas situações e finalmente com algo diferente do que temos vindo a fazer. Escrever neste mundo é uma arte, ser ouvido uma benção, mas no mundo da internet parece que isso não chega, e para adicionar alguma pimenta aos dummies, talvez haja uma surpresa a ser discutida com os autores do A4D.

Para já vos digo, estamos de volta, esperem por nós!

A4D Para sempre!

Jazz, Bossa-Nova e a Poesia de Vinicius

Publicado Fevereiro 6, 2009 por sirdummiel
Categorias: Arte

Boas Novas caros dummies,

é já longa a espera que me afasta destas paragens, confesso sentir já uma pequena sensação de incómodo, falta deste espaço de divulgação maravilhoso.

O que me trás até vós não difere muito do habitual, a habitual comemoração da existência artística, espaço de abstracção do mundo material, pura expressão Humana, veículo de experiências e portanto, perspectivas…

Ora, por ordem inversa:

Tanto para dizer que tive a oportunidade, tardia, de conhecer parte do trabalho de um nome já conhecido e incontornável, quer no contexto literário, quer no contexto musical. Vinicius de Moraes (1913 – 1980) foi um homem com muitos talentos, que influenciou socialmente o Brasil (séc XX) em larga escala, através do seu trabalho poético e musical (tendo passado por diversas fases).

A personalidade de Vinicius, extendeu-se como expressão e como influência para as futuras gerações do Brasil, um individuo no limiar da paixão. Vinicius decalca a dualidade do amor, seu tema predilecto, como razão de vida, da sua vida. Não se questiona sobre as suas origens (do amor), mas assume a sua Humanidade e converte as suas sensações em formas, numa linguagem poética acessivel, sensivel e inspiradora. É a sua vida emocional que está descrita, sem o estar, torna-se “fácil” a identificação por parte do leitor desta sensação, sob as suas mais diversas facetas. Quem lê, e compreende Vinicius de Moraes, entende a Humanidade desta personalidade (e a universalidade do amor e sofrimento por amor), a sua descontraida percepção dos problemas, e o seu positivismo, que, muito embora fosse ateu, demonstrava uma fé inabalável na condição Humana. Ele precisa do amor para escrever, a dicotomia amor/sofrimento (na procura da felicidade), origina em Vinicius um ciclo criativo, materializado numa forma nunca vista, numa estrutura poética clássica, mas com temas tão acessiveis!? É por precisar de amar que Vinicius se casa nove vezes. A sua vida amorosa, decorrente do seu talento para lidar com pessoas, e natural descontração, pode dizer-se inconstante e ao sabor das suas intensões.

É Vinicius que faz nascer o Bossa-Nova, um estilo resultado da fusão entre o popular Brasileiro (Chorinho) e a harmonia exótica do Jazz, fruto da sua estadia nos EUA e constantes viagens a New Orleaens. E é no contexto da sua poesia e da sua musica que surge o Bossa-Nova, com o trabalho incansável de Tom Jobim e mais tarde de Baden-Powell Toquinho (entre outros), uma nova identidade musical própria, no Brasil.

Apesar da “eterna desventura de viver”, Vinicius deixa saudades entre amigos, conhecidos e ademiradores, uma vida cheia, que no entanto nos parece tão curta…

Um eternamente Jovem… Um amante da musica e da arte, por serem “vida”… Vinicius de Moraes

Um breve cumprimento, na já tamanha demora na concepção deste post. Façam vosso a nossa dedicação ao conhecimento e a arte, e à vida…

Porque, “uma vida não analisada não vale a pena ser vivida” (Sócrates), e qual será a análise de uma vida sem expressão? Sem Arte? Por definição, para muitos, deixa de ser Vida!? Por isso, pontapé na moral (boa disposição), lá bem para cima e consciência…  Saudações Dummies…

Sirdummiel.

p.s: Por falar em Jazz, as secções do “Dose Dupla” (5.ªs feira) no CCB, aconcelham-se – fui lá hoje, muito bom. Como se aconcelham os serões no Hot Club, com um cartáz sempre interessante…

Max Payne

Publicado Janeiro 10, 2009 por furt4d0
Categorias: Cinema

Max Payne Cover

Depois de tanto tempo sem escrever por mera preguiça, eis que decidi voltar a dar alguma vida ao blog. Vou tratar de um assunto que provocará variadas opiniões, do filme Max Payne. Max Payne foi um jogo que saiu em 2001 e foi um grande jogo, muito agradável de se jogar com uma boa história, jogabilidade e som. Em 2008 saiu Max Payne, o filme. Este post é mais virado para aqueles que jogaram o jogo e viram o filme. Os que não jogaram o jogo e apenas viram o filme provavelmente não vão concordar em nada do que vou dizer…

Começando: se jogaram o jogo e o colocam como um dos melhores jogos que jogaram, então não vejam o filme. Vai abalar-vos da cadeira com a incoerência de história que junta bocados da história oficial e tenta criar um filme típico de querer bater recordes de bilheteira, mas se sinceramente era essa a intenção então que lhe chamassem outra coisa qualquer porque as semelhanças do jogo com o filme, passam apenas por breves momentos do guiao… Por exemplo, o amigo de Max, Alex, não é morto numas escadas. Ele é morto no metro; A irmã de Mona nunca chega a aparecer mesmo e no filme Mona não parece nada misteriosa como no jogo. Só estes exemplos mas a lista é grande…

Trailer:

Ao ver o trailer ainda bem antes do filme sair já adivinhava o fiasco que este filme seria… Valquirias… E não me estou a referir à droga como no jogo, o filme tem valquirias mesmo. Mas vendo o filme, nota-se que nem tudo é péssimo. Os actores têm de facto um guião muito pobre com muito poucas falas tiradas do jogo (alguém se lembra das cut-scenes em forma de BD que o jogo tem? Querem melhor guião que isso?), a história em comparação à do jogo é má embora de um ponto de vista de quem nunca jogou o jogo, o filme até é decente. A sensação que fica é de um filme que pretende misturar acção com um pouco de obscuridade e mitologia nórdica (combinação perfeita…), embora falte acção, enquanto a mitologia está lá bem patente. A sensação de obscuridade também se nota no filme

A escolha de Mark Wahlberg para fazer de Max nem é uma má escolha. Têm uma certa similariedade facial embora a personalidade de Max seja mais assombrada e negra que a de Whalberg. Mona Sax, como referi, uma escolha decente mas que peca pela falta de mistério que envolve esta personagem. No jogo Mona tem momentos em grande para depois desaparecer sem deixar rasto mas permanecendo muitas perguntas sobre ela no ar. Jim Bravura quer apanhar Max a todo o custo porque garante que ele é o culpado de tudo o que se passa, mas no filme ele é um mero detective limitado ao seu trabalho de investigação sem certezas nenhumas… Poderia continuar mas acho  que sabem o que acontecia com as outras personagens e não pretendo torturar ninguém. Apenas uma referência ao vilão deste filme. Max mata B.B. e aí está… Final feliz. Onde está o helicóptero? Onde está a Presidente da AESIR que mal aparece no filme? Onde está a personagem, que é na verdade a grande mente por trás de tudo, Vladimir?

Concluindo: eu pergunto-me se sinceramente John Moore jogou o jogo Max Payne… Na minha opinião, viu alguns screenshots do jogo e aplicou-os nos cenários do filme. Mas o que abala mais o jogo é a sua história. Parece que se pretende contar partes que não aconteceram no jogo, diria algumas ligações dentro da história mas foi assim que alterou a história incial dando-lhe um sentido muito confuso, para quem se lembra do que aconteceu. Este teria sido um filme decente se se tivesse chamado Valkyr ou simplesmente V (em referência à droga), mas não. O filme chama-se Max Payne e é baseado no jogo. Se a história já está feita e é mais do que possivel passá-la para filme sem grandes constrangimentos, então não a estraguem porque a história inicial era muito muito boa…

DocLisboa2008 Report

Publicado Novembro 8, 2008 por mlj
Categorias: Arte, Cinema

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Olá pessoal!

Eu sei, estou totalmente atrasado, já devia ter escrito o artigo sobre o doclisboa2008 à muito tempo e tal…por isso e tudo o mais, peço desculpa.

Em relação ao doclisboa, tenho de anunciar que foi um dos maiores festivais de cinema a que já assisti. As minhas expectativas (e as do público em geral) foram totalmente ultrapassadas: desde a enorme afluência de público de todas as idades, à quantidade e, principalmente, qualidade dos filmes.

Dando uma rápida revisão ao programa, não eram poucos os filmes que se marcavam para ver, mercê da variedade de temas abordados, para todos os gostos e feitios. Apesar de ter andado durante umas semanas como se tivesse à procura de emprego, a fazer marcas circulares à volta de propostas nos classificados do correio da manhã ou similar, acabei por não poder ir ver todos os que queria. Ora pela minha disponibilidade, ora pelos vários filmes que já tinham salas esgotadas ainda antes do festival começar (ena ena, afinal ainda há público interessado em bom cinema em Portugal!) De qualquer forma ainda consegui ver para cima duma dúzia (o press pass também ajudou xD).

Tendo ficado eu incumbido da árdua tarefa de fazer uma espécie de report sobre o festival, nomeio aqui o meu top5 dos filmes do festival. Para isto não ficar muito grande, se calhar o melhor é deixar o link para uma crítica mais alargada que escrevi no blog do Núcleo de Cinema do IST (essa bela infraestrutura de pensamento livre). Então aqui vai:

1) Red Race – um retrato fiel à dura vida das crianças chinesas obrigadas a praticar ginástica numa frenética jornada para o triunfo da China nos Jogos Olímpicos, com todos os seus desgostos, inocências e obstáculos. Uma ode à infância mal vivida e a tantas crianças espezinhadas por um “objectivo de estado”…

http://cinemaparaist.blogspot.com/2008/10/red-race-infncia.html

2) Black Tears – uma viagem ao universo da música cubana, na companhia duma banda de velhotes que mostram com toda a sua humildade e simplicidade o seu modo de vida.

http://cinemaparaist.blogspot.com/2008/10/black-tears-um-retrato-de-uma-boysband.html

3) Blind Loves – porque o amor não escolhe idades nem condicionantes, este filme conta a vida de diversos casais de pessoas cegas e suas formas inocentes de ver as relações (sem as futilidades e falsidades da sociedade pós-miss world contest)

http://cinemaparaist.blogspot.com/2008/10/blind-loves-histrias-de-amor.html

4) O Meu Amigo Mike Ao Trabalho – uma obra que mostra a transversalidade que a arte pode ter: um pintor cria um quadro enquanto o realizador filma o processo de criação. Genial a forma como o quadro é criado em profunda intimidade com a câmara de Fernando Lopes.

http://cinemaparaist.blogspot.com/2008/10/o-meu-amigo-mike-ao-trabalho.html

5) My Enemy’s Enemy – Apesar do conservadorismo na forma como está filmado, é um óptimo documentário histórico sobre um dos maiores carniceiros da história da humanidade, e de como o ocidente o usou após a 2º Guerra Mundial para atingir os seus objectivos, esquecendo-se do contributo dele para o Holocausto.

http://cinemaparaist.blogspot.com/2008/10/my-enemys-enemy.html

Até para o ano, doclisboa! Bem haja e bons filmes!

PS: não se esqueçam que agora em Novembro vai começar o festival de cinema do estoril, com homenagens ao Tim Burton, Bernardo Bertolucci e Paul Newman.

La Moustache

Publicado Outubro 20, 2008 por João Loff
Categorias: Cinema

Pois bem, que acabe as criticas por “slacking”, que acabe todo o “spanking” que sofri (bem nada de conexões mais … ora bolas, mentes perversas), toca a escrever. O meu post sobre as minhas férias a itália virá, quando achar que a sua escrita está agradável para mim e para os outros. Sou um bloguista revoltado com a minha escrita portanto como podem ver. Lets make peace then, not war.

E para recomeçar a escrever, cinema. Cinema francês, nacionalidade nunca antes descrita aqui, mas dos  cinemas com mais filmes “a descobrir” pelo público em geral. Cinema de amor, pensam uns, pois bem, cinema francês é muito mais que beijocas com paixão no topo da Torre Eifel, cinema francês pode ser, especial, bastante especial e com um “twist” de loucura pelo meio. Talvez seja esse o caso do filme: “La Moustache”.

Quando comprei o filme (vinha “agarrado” à Marcha dos Pinguins) vinha na expectativa de uma comédia, pois aquele textinho que vem na parte de trás do DVD sugeria muito, mas bora lá começar do principio (do texto não da história, not again …)

Imaginem-se que usavam bigode há muitos anos, e que um dia, e após vários pedidos da companheira de vida, decidem-no cortar. Num acto de coragem corta-se uma relação de afecto com essa parte da pelugem facial que há muito tempo acarinhava. Quando é chegado o momento da verdade, e de mostrar a toda a gente, conhecida ou não, ninguém nota a diferença. Será uma brincadeira de proporções enormes, será que você que virou maluco? Ou toda a ordem mundial foi afectada?

Pois bem, é este o apanhado do filme La Moustache. Posso dizer que o filme, que para espectadore de cinema mais casuais irá soar a extremamente estranho, tem uma base sólida sendo um filme bastante interessante para reflectir sobre a natureza humana. Todos os passos que a personagem dá durante o filme são também pensados por nós, tentando ao mesmo tempo colocar-nos na situação estranha e complexa que uma acção banal e as suas consequência podem provocar. É toda esta série de acções e decisões que nos levam a ponderar e considerar certos aspectos do pensamento humano.Mesmo que o resultado final do filme (aberto a pensamento e reflexão, bem ao meu gosto) deixe em hipotese algumas “soluções” menos lineares, todas as acções não deixam de ser bastante humanas e reais.

Se quiserem uma tarde com um pouco de paranormal/real (fica ao critério), La Moustache seja a solução. Estranhem e depois Entranhem neste filme, que talvez vá por em causa algo de sólido (nem que seja o facto do cinema francês sejam beijocas e amor no Sena).

Até à próxima (talvez Itália, who knows?)

Abrindo as Hostes – Onde caiu o Peter Pan!?

Publicado Setembro 15, 2008 por sirdummiel
Categorias: Pensamento

De modo algum julgo juntar, a este já justamente imposto decreto, o que se refere ao “grand finale” destas férias Dummies. Portanto, jovialmente, junto-me aos demais artigos.

Sem imagens, descolorido e realmente aborrecido…

…confundido por divagar sobres as questões que, por serem valorizadas “a priori”, as categorizei de importantes, reformulei o que interpreto simplificadamente como “ser”. Refiro-me à metafísica que antes abalada, por um conjunto de necessidades práticas que no meu entender identifico como sentimentos (em geral), redefiniram uma organização já restrita a uma outra metafísica, a dos práticos. E prolonguei assim o cárcere que me mantém cativo…

Se por um lado é cómodo aplicar à vida a razão prática que associamos, de modo comum, à existência, é por outro arriscado, quando o preconceito é o valor da verdade, uma verdade dependente apenas onde não tem, em absoluto, liberdade para desfrutar.

Sugiro portanto uma nova metafísica, que por sua vez se entende pelo conjunto de três outras. A primeira, coincide com o já conhecido método científico, composto por três princípios, um racional, um experimental e um outro que reflecte sobre ambos, tomando-os como hipóteses. A segunda, uma metafísica lírica, uma metafísica tão caótica quanto as sensações, mas que exprime a Humanidade por detrás da forma, a face por detrás do pensamento do consequente. A terceira, e, apartado desta exposição – a minha favorita – deve à segunda a sua génese, e entenda-se como um princípio de separação das metafísicas. Admitindo este terceiro princípio como válido, não pretendo teorizar sobre a validade da categorização no estudo da alma, mas sim, tendo como referência a necessidade prática já referida, organizar as duas primeiras metafísicas, separando-as parcialmente do que chamamos de opções pessoais.

A extensão dessa separação é então função de uma interpretação do que exprime a segundo metafísica ao sujeito, interpretado se possível à luz da primeira.

Hui, beleza esta filosofia! Poderia estar perfeitamente a dizer que levei há semanas uma tampa e ainda me estou a recompor… Assim fica mais bonito, sem dúvida!

Certo, neste Verão, fui ver Wall-E (haha) ao cinema, Sclavis e Khun ao centro cultural das Caldas da Rainha. Entreguei-me à prática da equitação, bem como da música. Assisti a lançamentos de livros. Fiz praia com fartura e li, porque ler é, quanto a mim, e ainda, o mais estimulante e eficaz método para saber. Fui a “Terra do Nunca e Voltei”, e desejei lá voltar, bem como desejei nunca lá ter ido, e daí criei a síntese…

E pensei… pensei sobre a vida e o pensamento, defini prioridades e revalidei ideais, porque é preciso pensar, e tempo… Se todos pensassem, construiríamos talvez um mundo melhor. Mas o talvez não chega! Queremos mais, a reconhecemo-lo como direito. Talvez possamos criar um dia uma sociedade verdadeiramente social. Talvez!?

Foram umas belas férias, a vida é bela, tanto quanto é belo ser Dummy neste mundo potencialmente maravilhoso. E surpresa… somos quatro!

Despeço-me esperançoso…

(Nota: Restringi o texto a uma explicação geral, a pormenorização das ideias ocuparia, com certeza, mais espaço… háhá)

As minhas férias culturais!

Publicado Setembro 11, 2008 por mlj
Categorias: Arte, Cinema, Música

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Boas!

Espero que essas férias tenham sido óptimas e bem recheadas de eventos culturais! As minhas até foram bem compostas, desde festivais a bom cinema, tudo se fez um pouco! Começando pelos concertos, as minhas férias foram pautadas por alguns concertos bastante bons, poucos maus, e uma mão cheia deles memoráveis! Então aqui vai:

Optimus Alive

Rage Against the Machine foi um desses concertos memoráveis. Começando pela nostalgia que foi ouvir canções que ouvia repetidamente quando era mais novo, pelo facto de a separação não lhes ter suavizado a raiva nem esmorecido os ideais, ou apenas pelo facto de o concerto ter sido um bruto mosh do principio ao fim com o público a vibrar com os clássicos todos de Zach, Morello e companhia. Quem também cumpriu bastante bem foram os Gogol Bordello, com a sua máquina de punk cigano a fazer mexer toda a audiência, e os The Hives que, apesar de não apresentarem nada de novo e de muito interessante a nível musical, sabem como incendiar a plateia (pontos extra pelo visual à desenho animado!). The National estavam claramente deslocados, as excelentes canções do último álbum perdem-se completamente num recinto tão grande mas, a grande surpresa da noite vai para os Vampire Weekend (achei o álbum um pouco overrated mas em concerto estavam bastante soltos e o afro-pop de teor “beto” pôs toda a gente a dançar!). Destaque também para o electro desenfreado dos Boyz Noize a fechar a noite no palco secundário.

Paredes de Coura

Sem falar no ambiente confortável, na simpatia dos “nativos”, nos concertos de jazz ao final da tarde no relvado junto ao rio, nas paisagens fantásticas e no anfiteatro natural onde decorriam os concertos, este foi o festival a que fui este ano em que houve mais e melhores concertos! The Mars Volta foi aterradoramente bom, o guitarrista e principalmente o baterista são do outro mundo, as composições free jazz com muitos improvisos de saxofone lá pelo meio encaixam na perfeição com o rock psicadélico da banda e depois ainda há o falsete do alucinado vocalista a dar corpo à música que até já faz sentido só por si (notou-se bem isso nas várias jams que os músicos foram fazendo ao longo do concerto).  dEUS foi completamente nostálgico (tocaram bastantes coisas do “In a bar under the sea”, um dos álbuns da minha infância), Wraygunn como sempre foi explosivo, Sex Pistols foi…hmm…diferente? Apesar de soar menos punk que o original até foi bastante engraçado, apesar de já estarem velhos/hipócritas/parvos. Editors foi genial e vale a pena dar destaque também a Bellrays (não conhecia e ainda não ouvi desde o concerto, mas foi bastante prometedor!) e ao dj português Woman In Panic que fez um set muito glitch, inovadoramente nada português! A ouvir…

Sudoeste

Confesso que o cartaz era uma desilusão para mim, sobretudo depois do fantástico cartaz do ano passado, mas mesmo assim ainda houve um David Fonseca inspiradíssimo, um Toumanie Diabaté virtuosíssimo (mas a pecar por se ter rodeado de demasiados instrumentistas, principalmente um “gorila” excitado a tocar djambé que não deixava ouvir a kora do T. Diabaté, que era o que realmente interessava…), uns Chemical Brothers medianos e uns Franz Ferdinand completamente infelizes (para mim, uma das desilusões do ano). Mas o destaque vai mesmo para Björk: a vaguear entre paisagens sonoras mais electrónicas do que intimistas (o que fez sentido tendo em conta o espaço onde tocava), não se inibiu de experimentar, de desafinar, de fazer dançar, saltar, etc. Concerto genial numa atmosfera arrepiante, onde não faltaram lasers, máquinas de fumo, milhões de papelinhos pelo ar e, sobretudo, muita gente a delirar com ela!

Em termos de concertos fora de festivais, destaque para o contrabaixista Carlos Bica (acompanhado pelo excelente pianista João Paulo) no Parque Eduardo VII (não vale fazer piadas!). Outro dos concertos que valeu mesmo a pena foi o de Chris Corsano na galeria Zé dos Bois no Bairro Alto. Apesar de acompanhado por uma saxofonista mediana, Corsano na bateria chega e sobra para deliciar qualquer um (que esteja aberto a free jazz claro!) Ah, faltava dizer que uma das poucas pessoas que lá estavam a assistir ao concerto (éramos só pra aí uns 30) era a Björk!

Festa do Avante

Bom, já se sabe como é o Avante… normalmente vêm-se poucos concertos! Mas dos que vi, há a destacar os frenéticos concertos de Kumpania Algazarra e Wraygunn: os primeiros a espalharem a sua música de fanfarra por toda a gente, de velhos a novos, tudo dançou, saltou e cantou! Os segundos, já não é novidade nenhuma que são das melhores bandas portuguesas ao vivo, tanto em termos da sonoridade rock-blues-soul que tocam como da interacção que têm com o público. Paulo Furtado (muito bem acompanhado pelas vozes de Raquel Ralha e Selma Uamusse) é sempre um agitador, tanto no palco como na própria assistência, já que faz sempre questão de se ir passear para o meio do público (seja a pé e de microfone em riste, seja a fazer crowd-surf). Destaque ainda para a mais valia da Rock’n’roll Big Band que agora toca com os Xutos & Pontapés, a complementar com arranjos jazzísticos consistentes a música da banda, sem nunca comprometer as canções impondo-lhes demasiadas ornamentações ou cortando a voz do público (que como é óbvio em concertos de Xutos, tem de se fazer ouvir). Nota também para X-Wife que não desiludiram, apesar do intenso sol que se fazia sentir na altura que tocaram e que amoleceu um pouco a assistência. A nível de concertos mais recatados, o projecto Telectu do guitarrista Vítor Rua e do pianista Lima Barreto (acompanhados por bateria e laptop) foi bastante interessante, a juntar uma sonoridade experimental, muitas vezes associada mais a instrumentos electrónicos, a um pianista bastante frito (e que por sinal, gostava bastante de tocar com os cotovelos…). Outra banda algo experimental que me despertou a atenção foi Kaja Bucalho que, apesar das letras “naifs” e da péssima voz do vocalista, apresentou um conceito bastante original que consistia em aplicar uma abordagem experimental à música tradicional portuguesa. Apesar do uso de instrumentos menos ortodoxos, como búzios e chocalhos de ovelhas, a sonoridade nunca perdeu o ritmo ou o bom senso (a bateria e o banjo electrónico ajudaram bastante nisto).

Em termos de álbuns, viciei-me de vez no “Everything Ecstatic” de Four Tet, música experimental com cheirinhos de rock, jazz e electrónica (“Sun drums and soil” e “Smile around the face” são fantásticas, vale a pena pesquisar no youtube). É dificil de entranhar mas depois de algumas audições as composições dele começam a fazer muito sentido. Um álbum muito bom que conheci este verão é o “Rossz Csillag Alatt Született” de Venetian Snares, uma mistura de música clássica com drum’n’bass futurista: bastante aconselhável! Redescobri os fantásticos álbuns “Supermodified” do Amon Tobin e “Reconciliation” dos Hipnótica. Atenção aos Hipnótica, uma banda portuguesa algo desprezada mas que mantém uma actividade bastante interessante, a explorar terrenos entre o jazz e a electrónica alternativa, com um contrabaixo muito activo e uns sintetizadores e improvisos de saxofone subtis completamente geniais! Para terminar, descobri uma gravação dum concerto da banda mais rocambolesca de John Zorn, Naked City: uma mistura de jazz, death metal, punk, noise rock e muito free jazz (vale a pena ir ao wiki da banda e enumerar a quantidade de géneros que lhes é atribuída!)

Confesso que tive pouco tempo para ler livros (com muita pena minha) e sendo assim, a literatura estas férias resumiu-se ao “Me talk pretty one day” do David Sedaris, um humorista fantástico que aplica o formato Stand-up ao livro, com uma escrita bastante consistente mas fluida.  Basicamente o livro conta a história da adolescência disfuncional do autor, desde os problemas na escola e no relacionamento com as irmãs, como a descoberta da droga, da arte, etc.

Em termos de exposições confesso que este verão também esteve um pouco fraco para os meus lados… apenas vi a “Outras peles” de Marcel.lí Antunez nas Galerias Zé Dos Bois, um resumo da obra do artista dividido em três fases: peles (composta pro exoesqueletos e interfaces mecânicos), membranas (através de instalações biológicas) e processos (diversos desenhos e objectos espalhados pelas paredes da galeria). A ideia-chave da exposição eram os “interfaces e camadas do ser humano, tanto na sua relação emotica como tecnológica – através do recurso a peles simuladas, identidades espelhadas, próteses ou exoesqueletos”.

Em relação a filmes não vale a pena enumerar os que vi que nunca mais saía daqui :P, mas há uns quantos que vale a pena falar. Vi um dos melhores filmes de guerra de todos os tempos, “Paths of glory” de Stanley Kubrick, uma sátira de 1957 à 1º guerra mundial que se preocupa mais em focar os bastidores do confronto e as hipocrisias inerentes a um exército, do que propriamente em mostrar cenas de guerra. Outro clássico que vi foi o “The General” (1927) do grande Buster Keaton, talvez o melhor filme mudo de sempre. Apesar de ser uma típica comédia muda (à lá Chaplin), é um filme muito bem realizado e protagonizado (a cara sempre séria de Keaton é um marco da história do cinema) que envolve um estudo aprofundado sobre a guerra civil nos Estados Unidos. Um filme recente que me marcou bastante foi o “Le Scaphandre et le papillon”, um drama sobre um homem de sucesso que sofre uma trombose e que, apesar de ficar completamente paralisado com excepção de um olho, não desiste da vida. É uma história verídica baseada no livro que esse homem escreveu a contar a sua experiência (ele ditou o livro todo à base de piscadelas de olho). Uma história de coragem, com um argumento e uma fotografia brilhantes (destaque para os planos na 1º pessoa do protagonista e para os momentos filmados na praia com principal atenção à interacção do vento com os corpos). Voltando aos clássicos, fui à Cinemateca ver o “Pierrot le fou” (1965) de Jean-luc Godard: cor fantástica, argumento à lá Nouvelle Vague francesa que nos reserva umas boas gargalhadas e outros tantos momentos melancólicos. Aqui fica um excerto:

http://br.youtube.com/watch?v=3iK6_mDnPRI

Beijinhos e abraços!

As minhas férias

Publicado Setembro 7, 2008 por furt4d0
Categorias: Arte, Cinema, Férias, Música, TV

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Pois é meus caros, eis que estamos de volta e depois de umas férias que, no meu caso, foram um tanto diferentes do que é usual visto que devia começar as férias em inicios de Julho e, verdade seja dita, o que eu chamo de férias só começou em principios de Agosto. Ainda assim foi um verão que deu para fazer muita coisa com muita diversão e muita coisa para contar. Vou assim tentar descrever os altos destas férias (festivais, filmes, livros, música, visitas…) por grupos e desses grupos vários sub-grupos, dos quais irei escolher um como  o mais importante, isto quando haja mais que uma opção, claro

  • Um Festival: Bons Sons

Desde a minha última ida a um festival em 2003 que andava ansioso por voltar a refrescar memórias deste género de evento. A verdade é que foi no ano de 2005 que grande parte dos Festivais começaram a encerrar por falta de “clientela”. Eis que chegado a 2008 fiquei a conhecer um Festival aqui da zona: o Festival Bons Sons, realizado em Cem Soldos, Tomar. Por toda a cidade se viam cartazes do Festival e eu, claro, não poderia faltar. Não tinha razão nenhuma para não ir, vejamos: campismo e entrada à borla, 3 dias de pura diversão, muita música (com nomes como Kumpania Algazarra ou Munchen entre outros) e muito convivio e muita bebida! Assim são os festivais! Até havia uma televisão a entrevistar o pessoal: a Televisão Bons Sons. Para meu desconhecimento, esta era a segunda vez que tal festival se realizara, sendo que o primeiro acontecera há 2 anos. Deu para ver que muitos dos que lá estavam vinham do Boom Fetival, um outro festival famoso pelas suas raves. Quanto ao Bons Sons, foi simplesmente muito diferente do meu Festival de há 5 anos. Muito convivio, muita alegria, muita gente… Numa palavra: único

  • Um filme: Wanted (Procurado)

Este verão foram vários os filmes que vi, alguns já mais desactualizados e outros bem recentes. Fahrenheit 9-11, Hellboy e Harold & Kumar Go To White Castle podem inserir-se na primeira categoria. Na segunda insiro Wanted, The Orphange (El orfanato), Hancock e Harold & Kumar-Escape From Guantanamo Bay. Fahrenheit 9-11 é o que se sabe e conhece de Michal Moore. Sem papas na língua atreve-se a meter com Bush e vários membros do Senado Americano. Em vez de acusar o que Michael faz é deixar uma série de perguntas e estranhas coincidências que podem estar ou não relacionadas com a invasão do Iraque… Nunca se sabe a verdade verdadeira (não, não me enganei) mas o filme é interessante. Harold & Kumar Go To White Castle e Harold & Kumar-Escape From Guantanamo Bay são dois filmes engraçados com as suas parvoíces bem ao estilo American Pie, embora ainda considere o primeiro o melhor dos dois filmes. Hellboy este foi um filme que nunca tinha conseguido ver completamente na TV e em mais lado nenhum. Toda a gente a falar do filme e agora sai o Hellboy 2 e já me irritava e pensei cá para mim: “Tenho de ver esta merd*!” e assim foi. História muito interessante e uma boa porrada com uma mão enorme e uma arma a condizer faz com que qualquer um se delicie com esa maravilha de Guillermo del Toro. Hancock é também um filme muito divertido com um conceito muito original e com Will Smith a demonstrar que não é apenas mais um no meio de Hollywood e que consegue fazer bons filmes (lembro-me assim de Em Busca da Felicidade, I Robot ou I Am Legend). The Orphanage ou El Orphanato é um filme de suspense na onda de The Village ou Signs. O problema é que me disseram que era um filme de terror… Ora quando vou a ver aquilo à espera de uma chacina ou de algo bastante mais assustador que o filme, realmente soube-me a  pouco… Não porque o filme está mal feito mas porque ia com uma ideia e sai-me algo que não tem nada a ver. Wanted, é o meu filme de eleição deste Verão. Comercial? Sim, pode-se dizer que é um pouco mas isso não significa que seja necessariamente mau. A história começa banal como todas as outras, alguém descobre que tem poderes e vai desenvolvê-los para matar alguém. Mas a meio do filme a história tem uma boa reviravolta que eu não esperava. Para além disso, quem não gostava de mandar balas em curva como neste filme? O único mal é mesmo o sangue que aparece em demasia… Conhecem a palavra gore, em inglês? Acho que a usaria em certas partes deste filme… Trailer

  • Um Álbum: The Offspring (Americana)

Não é novo, mas acreditem ou não, este foi o álbum que mais ouvi todas as férias. Uma pequena nostalgia de 1998 que nunca me há-de passar ao lado. E o álbum é bom também caramba! Uma boa rockalhada nunca cai mal para quem gosta e se nunca o ouviram têm agra uma boa hipótese de o ouvir

Devo dizer que sou um aficionado pelo lore de Warcraft. Já antes de O Senhor dos Anéis ter passado para filme, altura em que todos o ficaram a conhecer já eu vivia neste universo semelhante a Dungeons&Dragons. Orcs verdes e grandes, Trolls azuis e magrinhos, Elfs de várias raças… Já antes do sucesso que é World of Warcraft já eu jogava Warcraft: Orcs & Humans e depois de Warcraft3: The Reign of Chaos e a respectiva expansão descobri uma pérola de toda a arte que envolve este jogo: Sons of the Storm é o seu título e é o site dos criadores de todo o aspecto que envolve Warcraft. Não só pelo jogo mas pelo aspecto. Devo dizer desde já que admiro mais a aparência das personagens em Warcraft do que em O Senhor dos Anéis. Dêem uma vista de olhos e se forem fãs de criaturas das fantasiescas épocas medievais este é um site que não podem perder

  • Uma visita: Ida ao Rio

Não há nada como estar perto da natureza, mas melhor que isso é estar rodeada pela mesma. E quando digo rodeado é chegar a uma casa cujo único acesso é um caminho de terra batida onde até um tractor teria dificuldade em fazer. Ao longe, o rio. Um bom banho num dia de calor numa água quentinha e agradável. Pena é quando se levanta o vento, mas enquanto se está dentro de água não se quer sair. Sossegados estive eu e mais 3 amigos sem preocupações nenhumas. Levámos portáteis, guitarras, bebida, comida, sacos cama… Tudo para se sobreviver e foram 3 dias passados longe dos problemas do mundo e da sociedade, um verdadeiro paraíso! Olhar para um lado e ver verde, olhar para outra e verde ver, olhar em frente e ver uma mancha de água com o sol espelhado… E mergulhar. Eu diria para todos experimentarem mas infelizmente nem todos podem ter um amigo com uma casa perto do rio, por isso digo àqueles que podem, que não hesitem. Vão adorar!

Bem, este foi um longo post mas as férias também foram longas. Agora vem mais um ano de aulas, a rotina do dia a dia… Por isso veremos o que vai haver mais para contar entretanto. A todos uma excelente reentré com o pé direito e até uma próxima vez. Aproveito para anunciar que ultrapassámos as 6000 visitas. Um muito obrigado a todos os que nos têm visitado. Sentimos que o nosso trabalho tem sido recompensado 🙂

Rentrée

Publicado Setembro 2, 2008 por João Loff
Categorias: Blog

Pois bem meus amigos, as praias já lá vão, as férias estão a acabar, um novo ano lectivo está à porta para estes 4 dummies, e o que de melhor para se fazer nesta altura? Por a escrita em dia! Pois bem meus amigos, as férias dos nossos dummies acabaram, e novos posts, novos convidados, novos temas estão para surgir!

 

Para esta rentrée, desculpem-nos os nossos leitores se não temos meios para organizar um comicio com jantar incluido, sugiro aos nossos dummies que mostrem que não estiveram parados durante estas férias. Mostrem o que de melhor aconteceu culturalmente por esse mundo fora! Seja a vossa melhor experiência, seja um resumo de todas as actividades, seja qualquer coisa, mas voltem a escrever!

 

Abraços, e mãos a obra! Declaro oficialmente aberta a nova temporada do art4dummies 🙂

The Future Is Unwritten

Publicado Junho 16, 2008 por mlj
Categorias: Cinema, Música

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Olá a todos, desde já quero cumprimentar a malta cá do blog e agradecer o convite, um grande bem haja a todos!

Deixo-vos como destaque desta semana, uma pérola para quem gosta de rock’n’roll, o documentário sobre o lendário líder dos The Clash, Joe Strummer. Esta é mais uma deliciosa adição à já extensa lista de filmes e/ou documentários sobre nomes inquestionáveis da música, febre que nos tem deleitado os ouvidos recentemente (Rolling Stones em “Shine a Light” de Martin Scorcese, Joy Division em “Control” de Anton Corbijn, Bob Dylan em “I’m Not There” de Todd Haynes, só para citar alguns). Este “Joe Strummer – The Future Is Unwritten”, em português, “A Alma dos The Clash”, é um registo exploratório, não só da carreira, mas principalmente da vida por detrás do sucesso do pai do punk-rock.

Percorrendo cronologicamente todas as suas fases, desde a infância disfuncional e a juventude hippie, até ao apogeu do sucesso e o declínio incompreendido, são 123 minutos alternando entre a urgência da sua música e o carinho com que os que o conheciam o retratam, importante para ajudar a desconstruir um personagem e construir um homem, focado em ideais e motivos, preocupado em soar genuíno e como a fama poderia afectar essa genuidade. Todo o background que o levou até aos The Clash é mostrado: a mudança repentina de condição de menino rico, filho de diplomata e bem vestido, para líder de gang num colégio; a decisão precoce de viver apenas da música (sem saber sequer tocá-la) e o facto de se ter mudado com uma série de hippies alucinados para uma das muitas casas desocupadas de Londres. Isto em plena época de motins anti-governamentais e anti-trabalho, exactamente as correntes de pensamento de Joe. Era a época perfeita para o despontar do punk: a cada vez mais forte força contra a monarquia (Sex Pistols no comando) e o som inovador vindo dos EUA pelos Ramones, tudo mexido e agitado num cocktail ácido que ele deu início com a banda 101’ers. Banda de mediano sucesso, mais preocupada em destabilizar do que se fazer ouvir, depressa deu aso a voos mais altos: Joe Strummer desmantela o grupo e cria os The Clash, um misto de punk com influências de reggae e rockabilly, letras revolucionárias e uma energia em estado puro, tudo admnistrado com umas boas doses de lsd e vontade de contrariar preconceitos (por exemplo, a “White Riot” é um apelo aos jovens brancos para ingressarem em movimentos da comunidade negra). Por fim, são revelados alguns pormenores da vida pós-Clash, mais familiar, mais apaziguada em termos de luta pelos ideais (mas não conformada), mas não menos activa a nível cultural (além de música para cinema, no final dos anos 90 formou os Mescaleros).

O documentário tem um andamento fluido, onde gravações de concertos e videos privados da banda se revezam com entrevistas de carácter intimista à volta da fogueira, local que juntou notáveis dos mais variados meios, desde Bono a Johnny Depp, passando por Scorcese e membros dos Red Hot Chili Peppers. Pelo meio ainda há espaço para algumas passagens +/- oportunas de filmes e cartoons (destaque para o Triunfo dos Porcos, pelo relacionamento político com a música dos The Clash), tudo arbitrado por narrações do próprio Joe Strummer no seu programa de rádio. Aliás, a sua presença, ao contrário de muitos documentários póstumos, é priveligiada do início ao fim. Os minutos finais são mesmo dedicados inteiramente à sua voz despojada de qualquer banda sonora ou ruído de fundo, numa franca declaração de amor à humanidade e, por sua vez, uma crítica à sua desumanização. Este filme esteve presente na edição deste ano do festival IndieLisboa, e está agora disponível em dvd. Porque o rock’n’roll nunca esteve tão perto de mudar o mundo. E ele bem tentou.

Podem ver o trailer aqui:

Beijinhos e abraços!