Convidada a participar nesta tertúlia online; espaço aberto de pensamento, testemunho de uma geração ávida de discussão crítica, de construção de conhecimento, de verdadeira arte de pensar e pressionada/condicionada pelo ponteiro saltitante da rotina (desculpem por isso a falta de qualquer coisa!), resolvi falar-vos dum fenómeno, fase, submundo, evolução artística, etc. (escolham a designação que menos fira as vossas sensibilidades artísticas) que me sugeriu alguma reflexão numa viagem relâmpago à Big Apple.

The Metropolitan Museum of Art, NY
Num fim de tarde de Janeiro, durante uma visita revigorante ao Metropolitan Museum of Art em Nova Iorque, pude experienciar a famosa “Special Exibition” que decorria: um artista norte-americano, durante um mês, estaria em exibição naquele espaço! Sim, O Artista em exibição e a palete de cores que trazia de baixo do braço para expor nas paredes do edifício era nada mais nada menos que a sua própria vida. Então, nessa noite, estava a 82th Street inundada de gente que num silêncio quase absurdo e com um ar muito intelectualizado de quem está a ver uma pintura imponente de Dali estavam a assistir em ecrã gigante (para não incomodar o artista) ao momento alto da exposição: o artista a dormir…
Isto fez-me pensar um pouco no estado da arte da nossa arte, no estado da nossa existência. Vivemos rodeados de reality shows, a versão pós-moderna da encenação da vida humana a reactualização do teatro grego (marco na história do teatro). As autobiografias e biografias são best-sellers, o voyeurismo está na berra, os paparazzi são uma espécie em franca proliferação, as revistas cor-de-rosa são uma potência, os hi5´s, os facebook´s, blogues onde tudo se sabe sobre tudo e sobre todos… A vida esquartejada em todas as suas vicissitudes existenciais (quotidiano, rotinas, mazelas, amores, desamores, casamentos e funerais…) passou a ser arte, cultura, entretenimento. A alta velocidade muita “tinta” rola por cima, por baixo e à volta da dita “banalidade do existencial”. Muito mal se fala, mas como alguém disse: “falem bem, falem mal mas falem!”

The Metropolitan Museum of Art, NY
Não há momentos que me dêem mais prazer do que aqueles retirados da calma observação dos transeuntes nas ruas de uma país estranho, num comboio, num café. Conhecemo-nos melhor a nós, aos outros e à relação com os outros, na comparação, na diferença e finalmente na introspecção. Não me parece haver qualquer tipo de banalidade no existencial…
Talvez tenhamos chegado a uma época de metamorfose onde a sede de mudança nos leva a uma exploração daquilo que procuramos insaciavelmente conhecer: o ser humano. Experimentamo-nos e expomo-nos, creio que em busca de uma nova arte que nos sirva e por isso tentamos servi-la. É a teoria do caos em acção, precisamos de um momento de ruptura para construirmos! É a verdadeira arte em acção – a arte de pensar! Por isso meus caros artistas interpretem, critiquem, discutam, pensem… e assim a arte nasce! A arte imita a vida e a vida limita a arte.
Até sempre!
Ariana Loff





















