Jazz, Bossa-Nova e a Poesia de Vinicius
Boas Novas caros dummies,
é já longa a espera que me afasta destas paragens, confesso sentir já uma pequena sensação de incómodo, falta deste espaço de divulgação maravilhoso.
O que me trás até vós não difere muito do habitual, a habitual comemoração da existência artística, espaço de abstracção do mundo material, pura expressão Humana, veículo de experiências e portanto, perspectivas…
Ora, por ordem inversa:
Tanto para dizer que tive a oportunidade, tardia, de conhecer parte do trabalho de um nome já conhecido e incontornável, quer no contexto literário, quer no contexto musical. Vinicius de Moraes (1913 – 1980) foi um homem com muitos talentos, que influenciou socialmente o Brasil (séc XX) em larga escala, através do seu trabalho poético e musical (tendo passado por diversas fases).

A personalidade de Vinicius, extendeu-se como expressão e como influência para as futuras gerações do Brasil, um individuo no limiar da paixão. Vinicius decalca a dualidade do amor, seu tema predilecto, como razão de vida, da sua vida. Não se questiona sobre as suas origens (do amor), mas assume a sua Humanidade e converte as suas sensações em formas, numa linguagem poética acessivel, sensivel e inspiradora. É a sua vida emocional que está descrita, sem o estar, torna-se “fácil” a identificação por parte do leitor desta sensação, sob as suas mais diversas facetas. Quem lê, e compreende Vinicius de Moraes, entende a Humanidade desta personalidade (e a universalidade do amor e sofrimento por amor), a sua descontraida percepção dos problemas, e o seu positivismo, que, muito embora fosse ateu, demonstrava uma fé inabalável na condição Humana. Ele precisa do amor para escrever, a dicotomia amor/sofrimento (na procura da felicidade), origina em Vinicius um ciclo criativo, materializado numa forma nunca vista, numa estrutura poética clássica, mas com temas tão acessiveis!? É por precisar de amar que Vinicius se casa nove vezes. A sua vida amorosa, decorrente do seu talento para lidar com pessoas, e natural descontração, pode dizer-se inconstante e ao sabor das suas intensões.
É Vinicius que faz nascer o Bossa-Nova, um estilo resultado da fusão entre o popular Brasileiro (Chorinho) e a harmonia exótica do Jazz, fruto da sua estadia nos EUA e constantes viagens a New Orleaens. E é no contexto da sua poesia e da sua musica que surge o Bossa-Nova, com o trabalho incansável de Tom Jobim e mais tarde de Baden-Powell Toquinho (entre outros), uma nova identidade musical própria, no Brasil.
Apesar da “eterna desventura de viver”, Vinicius deixa saudades entre amigos, conhecidos e ademiradores, uma vida cheia, que no entanto nos parece tão curta…
Um eternamente Jovem… Um amante da musica e da arte, por serem “vida”… Vinicius de Moraes
Um breve cumprimento, na já tamanha demora na concepção deste post. Façam vosso a nossa dedicação ao conhecimento e a arte, e à vida…
Porque, “uma vida não analisada não vale a pena ser vivida” (Sócrates), e qual será a análise de uma vida sem expressão? Sem Arte? Por definição, para muitos, deixa de ser Vida!? Por isso, pontapé na moral (boa disposição), lá bem para cima e consciência… Saudações Dummies…
Sirdummiel.
p.s: Por falar em Jazz, as secções do “Dose Dupla” (5.ªs feira) no CCB, aconcelham-se – fui lá hoje, muito bom. Como se aconcelham os serões no Hot Club, com um cartáz sempre interessante…