The Future Is Unwritten

Olá a todos, desde já quero cumprimentar a malta cá do blog e agradecer o convite, um grande bem haja a todos!
Deixo-vos como destaque desta semana, uma pérola para quem gosta de rock’n'roll, o documentário sobre o lendário líder dos The Clash, Joe Strummer. Esta é mais uma deliciosa adição à já extensa lista de filmes e/ou documentários sobre nomes inquestionáveis da música, febre que nos tem deleitado os ouvidos recentemente (Rolling Stones em “Shine a Light” de Martin Scorcese, Joy Division em “Control” de Anton Corbijn, Bob Dylan em “I’m Not There” de Todd Haynes, só para citar alguns). Este “Joe Strummer – The Future Is Unwritten”, em português, “A Alma dos The Clash”, é um registo exploratório, não só da carreira, mas principalmente da vida por detrás do sucesso do pai do punk-rock.
Percorrendo cronologicamente todas as suas fases, desde a infância disfuncional e a juventude hippie, até ao apogeu do sucesso e o declínio incompreendido, são 123 minutos alternando entre a urgência da sua música e o carinho com que os que o conheciam o retratam, importante para ajudar a desconstruir um personagem e construir um homem, focado em ideais e motivos, preocupado em soar genuíno e como a fama poderia afectar essa genuidade. Todo o background que o levou até aos The Clash é mostrado: a mudança repentina de condição de menino rico, filho de diplomata e bem vestido, para líder de gang num colégio; a decisão precoce de viver apenas da música (sem saber sequer tocá-la) e o facto de se ter mudado com uma série de hippies alucinados para uma das muitas casas desocupadas de Londres. Isto em plena época de motins anti-governamentais e anti-trabalho, exactamente as correntes de pensamento de Joe. Era a época perfeita para o despontar do punk: a cada vez mais forte força contra a monarquia (Sex Pistols no comando) e o som inovador vindo dos EUA pelos Ramones, tudo mexido e agitado num cocktail ácido que ele deu início com a banda 101′ers. Banda de mediano sucesso, mais preocupada em destabilizar do que se fazer ouvir, depressa deu aso a voos mais altos: Joe Strummer desmantela o grupo e cria os The Clash, um misto de punk com influências de reggae e rockabilly, letras revolucionárias e uma energia em estado puro, tudo admnistrado com umas boas doses de lsd e vontade de contrariar preconceitos (por exemplo, a “White Riot” é um apelo aos jovens brancos para ingressarem em movimentos da comunidade negra). Por fim, são revelados alguns pormenores da vida pós-Clash, mais familiar, mais apaziguada em termos de luta pelos ideais (mas não conformada), mas não menos activa a nível cultural (além de música para cinema, no final dos anos 90 formou os Mescaleros).
O documentário tem um andamento fluido, onde gravações de concertos e videos privados da banda se revezam com entrevistas de carácter intimista à volta da fogueira, local que juntou notáveis dos mais variados meios, desde Bono a Johnny Depp, passando por Scorcese e membros dos Red Hot Chili Peppers. Pelo meio ainda há espaço para algumas passagens +/- oportunas de filmes e cartoons (destaque para o Triunfo dos Porcos, pelo relacionamento político com a música dos The Clash), tudo arbitrado por narrações do próprio Joe Strummer no seu programa de rádio. Aliás, a sua presença, ao contrário de muitos documentários póstumos, é priveligiada do início ao fim. Os minutos finais são mesmo dedicados inteiramente à sua voz despojada de qualquer banda sonora ou ruído de fundo, numa franca declaração de amor à humanidade e, por sua vez, uma crítica à sua desumanização. Este filme esteve presente na edição deste ano do festival IndieLisboa, e está agora disponível em dvd. Porque o rock’n'roll nunca esteve tão perto de mudar o mundo. E ele bem tentou.
Podem ver o trailer aqui:
Beijinhos e abraços!
Tags: Música, Cinema, The Clash, Joe Strummer, Documentários, Punk, Rock'n'Roll
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