Era uma vez a Arte…

Boas novas meus dummies, há muito que por estas pradarias apenas rebolam arbustos, à semelhança dos desertos do “far-west”. Que se faça luz e haja inovação!

Foi por esta e outras razões que hoje, aqui, no “art4dummies” vos apresento o meu primeiro convidado, ou convidada, neste caso. O tema encomendado aqui à convidada esteve desde cedo no domínio da liberdade de expressão, e de assunto, até ver serão duas clausulas necessárias à criação artística, arte com a qual escreveu este excerto que nem me atrevo a formatar:

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Era uma vez a arte…

 

Está na moda ser artista. Está na moda dar uns toques numa guitarra e vestir de maneira “esquisita”. Está na moda cantarolar quando se percebe que se afinou uma nota (apenas uma) numa noite de Karaoke. Está na moda responder que “vou para artes” porque algum amigalhaço disse que os rabiscos dos cadernos de apontamentos são um máximo.

Dá vontade de dizer: “Não digam arte em vão!”

Vá…sabemos que um artista se constrói com rabiscos, mas só se é artista quando se sabe viver, querer, saber… Expressão! Um corpo fechado não dança a vida, antes arrasta-a em “Bossa Velha” que depois desafina. Mas quem desafina também tem coração (como disse um artista) como a Garota de Ipanema que passa com a sua graça.

 

O que interessa saber em que consiste a arte propriamente dita e quais as componentes que a constitui se não mostramos coração, mesmo que desafinado? Afinal, a arte sai do coração sempre afinada? A Beleza, a Harmonia, o Equilíbrio e mais umas quantas peças são demasiado “coisas de sentir” para as colocarmos em prateleiras, certinhas, arrumadinhas, girinhas.

A sala das emoções, a fábrica da arte precisa ser bela mesmo que não seja certinha; precisa ser harmoniosa mesmo que não lhe apeteça ser arrumadinha; precisa ser equilibrada mesmo que não pareça girinha. Se não for, como sai a arte? Como sai a vida?

Sobrevivida?

Sai virando páginas

Quebradas

Chateadas

Molhadas

Como se a vida fosse apenas sobrevivência…paciência. Não!

Não devia haver paciência para sobreviver, tal como não há paciência para esperar numa fila para o teatro.

Antes viver pouco mas viver…com arte.

Dar um sorriso sem ser amarelo tornou-se tão raro que acredito que quem o faz seja um artista (de apetecer pedir-lhe um autografo). Tal como amar. Chiiiiiiiuuu!!!! Deixem ouvir amar. Amar é arte: “Não digam o amor em vão!” – afirmou-me um músico.

Não estamos presos em quadradinhos de BD, apesar de muitas vezes parecer. Saltamos de momento em momento como uma sequência de passos de Rock, que o que mais queremos é sair daquele Roll.

Não atingimos equilíbrio nas cores com que pintamos o cenário por onde passamos todos os dias, que acabamos por querer desfazer o desenho, sair de cena mesmo antes de fechar a cortina.

A vida não tem medidas de manequim, mas é bela.

Podemos não ser fãs de música clássica, não perceber nada de pintura, não saber cantar, nem fazer um risco direito por isso… não vamos ser actores.

Construir uma longa-metragem no pensamento só cria ilusão quando voltamos a olhar para o espelho e reparamos que não somos mais o actor principal. Porquê?

Não te coloques como figurante se tens um camarim só para ti: a rua. Mas esquece o guião, os ensaios… simplesmente vive. Nada de fazer copy-paste.

Expressa-te como se a tua vida fosse uma tela virgem e combina tudo, pensa, faz um esboço, corrige, experimenta outras cores, inspira-te. Faz aquilo que só o ser humano pode fazer. Quebrar silêncios do lado de dentro e ser artista.

A revolta faz tremer o pincel, a raiva faz tremer a voz, a intriga não inspira, o ódio parte as cordas do baixo e deixa-nos… em baixo.

Não temos que ser todos iguais… do Barroco à Popart há imensa escolha! O importante é soltar a veia sem medo de deitar muito sangue. A parte do sangue é nota de pauta mas “the show must go on!”. Toca, mesmo sabendo que todos os acordes não saem muito bem, mas fazem bem ao artista. Bem.

Agora vou escrever a parte séria.

Um dos infindáveis conceitos de arte: “Actividade humana ligada a manifestações de ordem estética que estimulam os sentidos, transmitindo emoções e/ou ideias (vão ao wikipedia…é só fazer copy-paste).

 Era uma vez a arte…

 

Filipa Cunha

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Bem, dizer um pouco mais que seja seria retirar espaço de blog a uma prosa tão doce, que se define ao lado da mais fundamental “raison d’être” do nosso blog.

Continuem atentos às próximas edições, e claro, COMENTEM, “com força”. Um grande abraço deste dummy.

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